Mostrando postagens com marcador festivaldeculturapr. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador festivaldeculturapr. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Debate evidencia realidade racista brasileira

No dia 20 de novembro de 2009, sexta-feira, o Festival de Cultura do Paraná realizou no Palco da Reitoria um debate com o tema A Representação do Negro na Mídia. A palestra fez parte do segundo dia do festival, que dedicou sua programação à comemoração do Dia da Consciência Negra, celebrado nesta data. As falas saíram levemente do clima profissional e aproximaram-se de um bate-papo entre os convidados e os presentes, que tiveram longo espaço de tempo para expor opiniões e realizar perguntas ao fim da apresentação. Os convidados eram Luís Carlos Paixão, professor da Secretaria De Estado da Educação do Paraná, Thais Pinhata, estudante de Direito e representante da Rede de Mulheres Negras do Paraná e Andressa Ignácio, participante do Fórum Paranaense da Juventude Negra. Eles expuseram suas respectivas posições quanto ao tema e acabaram por convergir num quadro preocupante: a presença do racismo e da violência, sendo ela física e simbólica, contra o negro no Brasil.

O debate cobriu, num primeiro momento, questões históricas sobre o negro em nossas terras, como o momento pós-abolição da escravatura e a problemática da necessidade de “embranquecer” a população por parte dos que dominavam naquela época, apresentadas por Paixão. Torno-se inevitável também a comparação com a imigração européia, que foi realizada com sucesso e com as devidas condições econômicas e políticas para se viver aqui. Há também a denúncia feita pelo professor sobre o fato de resistências e grandes feitos de negros antes da abolição serem omitidos pela mídia e até pelo ensino escolar. De maneira geral, segundo ele, a representação negra que chega ao público resume-se a um indivíduo de força bruta, apto a trabalhos que a exijam ou ligado a atividades lúdicas, como culinária ou a prática da capoeira.

Em seguida, Andressa apresentou temáticas envolvidas com o Movimento de Juventude Negra e a criminalização do jovem negro pelos meios de comunicação. Para ela, é notável o uso de “dois pesos e duas medidas” no julgamento e cumprimento da lei quando se trata de um cidadão negro. A mídia, que seria a grande culpada segundo Andressa, acaba sendo parcial e sensacionalista, promovendo apenas debates rasos sobre essa questão de criminalização e construindo levemente um “perfil de criminoso”, que não acaba fugindo do jovem negro.

Finalmente, Thais abordou a questão da mulher negra e como ela é representada na mídia, desde novelas até os noticiários. Segundo a estudante, há três representações básicas nos meios de comunicação: a “dona Maria”, mulher benevolente e prestativa, dona-de-casa e responsável por diversos membros da família; a doméstica, que cumpre as tarefas da casa e é submissa hierarquicamente à patroa, mantendo com ela relação rasa de amizade; e a mulata que se utiliza de sua sensualidade para garantir seu espaço na sociedade. Além disso, ela frisou que o direito a comunicação, que não seria exatamente cumprido, não se limita a assistir e ter acesso aos meios, mas sim ter a possibilidade de participar de um deles livremente.

Com relação aos movimentos populares e a mídia alternativa, as respostas apresentadas foram positivas. Segundo os palestrantes, os meios populares são fundamentais para uma melhora na representação do negro, pois possibilitam um maior espaço para esse movimento pronunciar-se e defender os ideais corretos de exposição, enquanto a grande mídia, quando cede seu espaço ao movimento ou a personagens negros, acaba por representá-lo de forma errada.

Se houve um consenso geral no debate, é o de que a mídia hegemônica reproduz o negro de maneira ideológica, alienante. Apesar do mito da democracia racial que percorre o país, o Brasil ainda é essencialmente racista.

“Este material foi produzido por Tiago César Galvão e Nilton Kleina, do Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP) da UFPR, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: http://cc.nosdarede.org.br

Mídia livre é discutida em festival de cultura

A democratização da comunicação é algo que sempre permeia as discussões sobre a mídia. No debate Mídia Livre: Experiências de Comunicação Compartilhada não poderia ser diferente. Parte da programação do Festival de Cultura do Paraná do ano de 2009, o evento, que aconteceu no dia 19 de novembro, teve a participação da arquiteta e cineasta Fabiane Balvedi, da especialista em comunicação comunitária Luciane Zue e da jornalista e publicitária Rachel Bragatto. O trio, junto a um pequeno público – cerca de dez pessoas –, discutiu sobre o tão falado tema e as possíveis soluções para a melhoria da atual conjuntura da comunicação.

“O debate teve como objetivo problematizar as questões relativas à produção e à veiculação de conteúdo”, diz Rachel Bragatto. “No Brasil, temos um oligopólio na comunicação, e nesse debate procuramos encontrar possibilidades frente a esse cenário”, afirma a jornalista. Uma das possibilidades apresentadas por Bragatto é a Internet, na qual o público, para a jornalista, torna-se criador de conteúdo. Fabiane Balvedi também vê uma solução na tecnologia digital: os softwares livres. São programas de computador que podem ser alterados pelos usuários, devido ao código aberto. E essa característica permite ao público utilizar de maneira plena um meio de comunicação – sendo assim um importante passo para a democratização da mídia, segundo a arquiteta. Outra possibilidade discutida pelas comunicadoras, e adotada pelo festival, foi a comunicação compartilhada, na qual pessoas fora da área envolvida com mídia produzem conteúdo a ser veiculado.

Entre os presentes no debate, a jornalista Camila Melo apoia esse tipo de produção midiática: “Acredito na comunicação compartilhada, livre. Por isso o debate a respeito das diferentes maneiras de se produzir Mídia Livre foi de grande reforço”, comenta. Também fala sobre o pequeno público do debate. “A baixa frequência no debate, acredito ser consequência da baixa importância e credibilidade que os estudantes, como cidadãos, agregam a divulgação fora da Mídia Tradicional. Faixas, panfletos e sites parecem, infelizmente até hoje, não transpassarem seriedade suficiente ao ponto de incentivar a participação popular”, conclui.

Apesar disso, Rachel mostra como os meios de comunicação são relevantes à população: “A luta pela democratização da mídia refere-se à busca de uma sociedade mais justa e mais solidária. E mais tolerante também, que saiba ouvir o outro, que se interesse pelo que este tem a dizer, que se solidarize com outras visões e não tente impor a própria".


“Este material foi produzido por Felipe Nascimento e Olívia Baldissera, do Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP) da UFPR, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: http://cc.nosdarede.org.br

sábado, 21 de novembro de 2009

Debate sobre direitos autorais fecha o ciclo de debates do Festival de Cultura do Paraná 2009

O debate “Cultura Livre, Direitos Autorais e O Movimento Música Para Baixar” aconteceu hoje (21/11) no pátio da Reitoria da UFPR, finalizando o ciclo de debates do Festival de Cultura do Paraná 2009. O encontro reuniu representantes do grupo musical “Eu, Você e Maria”, da banda “Nuvens” e o DJ Manolo com alguns interessados no tema. A discussão principal do debate se concentrou na questão dos direitos autorais, relacionado ao embate entre a necessidade de sobrevivência do artista e a divulgação da arte em benefício da cultura geral.

O vocalista da banda Nuvens, Raphael Moraes, participante do evento, afirma que a discussão deve se focar em descobrir outras formas de organizar a economia cultural. Ele defende que a indústria cultural tradicional precisa se adaptar aos novos modelos, principalmente com a participação fundamental que a Internet desempenha neste espaço. “Eu não sou ‘xiita’ em nenhum momento em relação a esta questão, mas com certeza penso que o artista deve ser entendido como profissional, ou seja, ele deve ter condições de sobreviver por meio da arte”, afirmou o músico de 25 anos.

Raphael também explicou alguns pontos fundamentais e planejamentos para o futuro do Movimento Música Para Baixar. O Movimento consiste numa iniciativa de envolvimento de grupos culturais do país, buscando novas formas de produção e distribuição cultural. Uma das principais discussões do Movimento é a questão dos direitos autorais. “Há um trabalho que direciona o debate para a flexibilização dos direitos autorais – que não podem deixar de existir”, afirma Raphael. Além disso, ele também pontuou outros projetos do Movimento: a realização de um festival nacional e a discussão da criminalização do “jabá” nos veículos de comunicação. O “jabá” consiste no pagamento a certo meio de comunicação, por parte de um artista, para que aquele veicule a produção deste, em detrimento de outros.

Ju Fiorezi, membro do grupo Eu, Você e Maria, entende que o movimento cultural é mais forte com um envolvimento maior entre grupos independentes. Nani Barbosa, outra integrante do grupo, completa: “Nós já fizemos parcerias com músicos de outros estados sem nem mesmo conhecê-los pessoalmente, e o resultado foi sensacional”.

Outra questão levantada foi a remuneração dos artistas. “O produto principal do artista passa a ser, então, o espetáculo, a performance. A música em si já não é mais o produto”, disse Ju.

Mônica Kimura, consultora de comunicação do projeto Cultura Viva, do Ministério da Cultura, também esteve presente no debate. Entre outras questões, ela pontuou a necessidade de maior investimento e dedicação à formação cultural dos indivíduos. “Nesse plano, as mudanças fundamentais ocorrem de geração para geração, ou seja, o que nós fizermos agora refletirá na próxima geração, ou quem sabe na outra depois desta”, afirma Mônica.

“Este material foi produzido por Guilherme Sobota, estudante de Jornalismo da UFPR, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: http://cc.nosdarede.org.br

Capoeira abre as atividades na Santos Andrade


A oficina “Infinita Capoeira” , às 09h00, foi a primeira programação da Praça Santos Andrade no segundo dia do Festival de Cultura do Paraná 2009, também Dia da Consciência Negra (20/11). A arte teve origem nos tempos de escravidão no Brasil, mas hoje já se espalhou pelo mundo.
Debaixo de uma árvore florida, no chão de petit-pavé coberto por pétalas roxas, a oficina de capoeira era preparada. Curiosos paravam para dar uma espiadela; alguns perguntavam o que tantos instrumentos faziam perfilados no centro da Praça Santos Andrade.

Os quatro berimbaus, chocalhos variados, pandeiros, um reco-reco e atabaque foram cuidadosamente trazidos pelo curitibano Bruno Rossa, administrador da oficina, que aguardava ao lado dos instrumentos, a chegada dos participantes. O som do berimbau solitário parecia chamar os amantes da capoeira e, como se combinado, várias pessoas surgiram ao mesmo tempo de direções diferentes, ansiosas para começar.

Entre elas estavam capoeiristas experientes e gente que nunca havia participado. Andrey Percegona tinha um ar tranqüilo de quem sabe o que está fazendo, apesar de nunca ter jogado capoeira antes. A vontade era grande fazia tempo e toda a vez que via uma roda pensava em entrar, mas nunca tinha tomado a iniciativa. A oficina foi uma chance de finalmente começar.

O nome peculiar da oficina – Infinita Capoeira – tem uma explicação muito lógica: “mesmo o mestre mais antigo nunca vai saber tudo; ele preserva a raiz da capoeira, mas precisa evoluir e aprender coisas novas”, explica Bruno, que começou a jogar em 1996 e nunca mais parou.



“Este material foi produzido por Juliana Blume, estudante de Jornalismo da UFPR, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: http://cc.nosdarede.org.br

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Que raios é comunicação compartilhada?

Na mídia tradicional proprierária, matérias produzidas para um jornal são de propriedade dele. Assim, uma matéria veiculada em primeira mão (o tal do furo) ganha valor de mercado e pode ser comercializada.

Mas os meios tradicionais de comunicação omitem ou mentem sobre certas informações propositalmente em razão de interesses políticos e econômicos. "A comunicação compartilhada é uma simplificação do processo comunicativo", explica a jornalista Rita Freire, uma dentre as mentes por trás do conceito, aplicado inicialmente no Fórum Social Mundial.
Crédito da foto: Michele Torinelli

Workshop de Comunicação Compartilhada, no Departamento de Comunicação da UFPR

De acordo com Nazen Carneiro, um dos colaboradores da comunicação do Festival de Cultura do Paraná 2009, "a comunicação compartilhada se insere num contexto de divulgar, informar e cobrir fatos e eventos ignorados ou desvirtuados pela grande mídia".

O objetivo desse conceito é construir novos espaços midiáticos, democráticos e descentralizados, que servirão de contraponto equivalente às mídias privadas e estatais. Ou seja, uma forma de inserir a sociedade civil na comunicação. E é em espaços como o Festival que se inicia esse processo.

Crédito da foto: Michele Torinelli


Rita relata as experiências do Fórum Social Mundial

Lá a comunicação será realizada de forma descentralizada. Estarão cobrindo o evento jornais, rádios, TVs, blogs e veículos da web. Mas esses meios convencionais não estarão sozinhos. Pontos e grupos culturais também farão a cobertura dos eventos. Após a produção das matérias de texto, áudio, vídeo, imagem e animação, a página da web do Festival reunirá todo o material e o distribuirá para as diversas mídias parceiras e para o Mundo, através da Internet.

Phillipe Trindade, colaborador da comunicação compartilhada do Festival de Cultura do Paraná 2009

Workshop com Rita Freire no Decom

Como parte do Ciclo Paranaense de Cultura Digital, acontece um workshop com a jornalista Rita Freire. Será nessa quinta-feira (29), das 10 às 18 horas, na sala 10 do Departamento de Comunicação Social (Decom) da UFPR. O objetivo é debater e planejar o funcionamento da cobertura compartilhada do Festival de Cultura do Paraná.  Com experiência nos processos de cobertura compartilhada do Fórum Social Mundial e integrante da Ciranda Internacional da Informação Independente, Rita estará em Curitiba para dialogar com jovens universitários, integrantes dos pontos de cultura e ativistas culturais, todos envolvidos no processo de construção do Festival.

A atividade é organizada pelo Coletivo Soylocoporti e as inscrições são gratuitas. Apoio: Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacos).

Serviço:
Oficina de Cobertura Compartilhada, com Rita Freire
Quinta-feira, 28/10, às 10 horas.
Sala 10 do Decom da UFPR - Rua Bom Jesus, 650 - Juvevê, Curitiba.
Para maiores informações, ligue 9993-0488.